domingo, janeiro 06, 2008

Domingueiro...

Dada a ressaca intelectual, visto ter tido ontem exame de Direito Penal I, além da ressaca alcoólica decorrente da noite de ontem, (esta, justificável pela primeira), decidi aumentar o meu "bronze cinéfilo de intelectualidade" optando por dois filmes, um "fantástico" outro clássico, um francês outro inglês, ambos óptimos!
Filmes d'ontem 004 - O FABULO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN
O fabuloso destino de Amélie Poulain apesar de se passar no mundo real, conta com um extraordinário leque de truques, no qual o realizador, Jean-Pierre Jeunet transforma a França contemporânea num reflexo belo e surreal da realidade, onde a personagem ingénua e idealista, que dá nome à obra, espalha amor e felicidade pelos rostos graves à sua volta.
Ao nível pessoal, contudo, Amélie está em crise, pelo que decide investir um pouco da sua energia notável na busca do amor verdadeiro. Interpretada com uma precisão inocente da criança "traquina" por Audrey Tautou, Amélie não se limita a soluçar: é reduzida a uma poça de lágrimas. A cidade não resplandece apenas metaforicamente; adquire um tom sobrenatural e um tempo eternamente perfeito graças a efeitos de computador. O fabuloso destino de Amélie Poulain poderia ter resvalado para o patético/sentimental, mas Jeunet tempera a sua fantasia, estilo conto de fadas, com a dor e desilusão da vida real. E o filme - tal como a sua protagonista - vive obcecado com pequenos detalhes e minúcias pitorescas que nos mantêm completamente "agarrados" à história.
Os sentimentos de Amélie alternam dramaticamente entre o quente e o frio e, Tautou regula tão bem o modo como a sua personagem irradia emoções que é impossível não alternar com ela. Um filme descontraído, (divertido), o qual se adquou perfeitamente ao meu "domingo domingueiro".
Filmes d'ontem 005 - O PACIENTE INGLÊS
Em The english patient, O paciente inglês, começa com o trágico aciente de um piloto que fica gravemente queimado e desfigurado (Ralph Fiennes), vindo a ser encontrado nos destroços do seu biplano no norte de África, pouco antes do final da 2ª Guerra Mundial. Aparentemente com amnésia, não identificado mas presumivelmente inglês, está a morrer e é entregue aos cuidados de uma enfermeira franco-canadiana de nome, Hana (Juliette Binoche). Refugiando-se num mosteiro italiano destruído, juntam-se a um canadiano vingativo, vítima de torturas (Willem Dafoe) e, a dois especialistas em desactivação de bombas, onde reflectem sobre o passado, a perda e a cura. A pouco e pouco o misterioso paciente - que viria a revelar-se como o conde húngaro Laszlo Almásy - começa a recordar-se da sua vida passada (entre finais dos anos 30 e 1945) na Toscana, no Cairo e no deserto do Saara. O romance entre Almásy e Katharine (Kristin Scott Thomas), uma mulher casada, evolui com consequências trágicas. O filme conta com dois elementos fortes para cativas: a história é complexa, porém clássica e romântica e, a produção é meticulosamente artística, inde desde belíssimas sequências aéreas a uma dramática tempestade de areia, a cenas de amor sensuais e efeitos brilhantes - pinturas examinadas à luz de tochas, frescos de uma igreja iluminados por um holofote.
O paciente inglês, uma obra de 1996, arrecadou 9 Óscares ultrapassando O último imperador em 1987, de Bernardo Bertolucci, donde destacamos o de Melhor Filme, Melhor Realizador, bem como, o de Melhor Actriz Secundária para Juliette Binoche. Como vêm não há de todo motivos para não verem este clássico do cinema do anos 90. Imperdível!

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